Telas
para uso na construção civil, Texiglass Telas de fibra de vidro, carbono e aramida para uso na construção civil foram o foco da apresentação do engenheiro civil Antônio de Paulo Peruzzi, mestre e doutorando em Arquitetura pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC-USP e proprietário da Trend Tecnologia. Com atuação em projeto, especificação e desenvolvimento de tecnologias em concretos especiais e sistemas construtivos reforçados com diversos tipos de fibras, Peruzzi abordou as especificidades técnicas dos materiais básicos utilizados na construção civil (concretos e argamassas), que apesar de se destacarem em durabilidade e baixo custo apresentam ruptura frágil (ou seja, brusca), baixa resistência à tração e baixa capacidade de deformação, situação que, segundo Peruzzi, abre espaço ao uso de materiais de construção alternativos que compensem tais deficiências. "Algumas fibras permitem aumentar consideravelmente a capacidade de deformação de painéis e outras aplicações, assim como aprimorar a capacidade de carga a tração, flexão e impacto em superfícies e aplicações específicas", disse. Em seguida, as fibras disponíveis no mercado foram objeto de classificação por módulos de elasticidade (variável expressa em GPa que relaciona tensão e deformação de um dado material em regime elástico). Concentrando a atenção nas fibras de baixo módulo, e comparando os resultados (entre 1 e 8 GPa para polipropileno e de 4 GPa para poliamida) com os módulos de elasticidade, resistência à tração e graus de alongamento em ruptura da argamassa e concreto. Peruzzi afirmou que estas fibras de baixo módulo atuam apenas no controle da fissuração do concreto, mas não atuam no reforço destes, já que seus módulos são menores que os do concreto e das argamassas (aproximadamente 30GPa). Sobre as fibras de alto módulo (de carbono, aramida e vidro), Peruzzi destacou as vantagens indiscutíveis destas e passou a explicar seu uso caso a caso. Derivadas de poliacrilonitrila (PAN) ou pitch (petróleo ou carvão mineral), as fibras de carbono caracterizam-se por módulos de elasticidade entre 230 e 390 GPa, com o que superam o aço (liga de CA 50, com módulo médio de 210 GPa) e oferecem excelente opção em termos de resistência à tração (as fibras de carbono vão de 2500 a 2700 MPa nesse quesito, em comparação com 500 MPa do aço). Utilizada em perfis de fibra impregnada geralmente com resina epóxi, como fios de carbono enrolados e colados em superfícies de geometria variada e como tecidos pré-impregnados, a fibra de carbono é especialmente utilizada para recuperação de estruturas e para aplicações em que é previsto aumento na capacidade de carga (alguns exemplos: viadutos em que passam a transitar veículos de maior carga, modificações de projeto em imóveis comerciais, etc.). Leves e fáceis de aplicar, os tapes, fios e perfis em fibra de carbono permitem economizar custos com o máximo de praticidade e retorno. As fibras de aramida, que apresentam módulos de elasticidade em torno de 125 GPa, foram abordadas em seguida. Caracterizadas por apresentarem ruptura dúctil e não frágil (ao contrário das fibras de carbono e vidro, que apresentam pouca resistência a impactos e cisalhamento), as fibras de aramida possuem contudo módulos de elasticidade competitivos (125 GPa) e resistências à tração elevadas (de 2800 a 3600 Mpa), o que as torna indicadas para recuperação estrutural de vigas, pilares e outras superfícies atingidas por corrosão, proteção de colunas contra impactos diversos e aumento em capacidades de carga. "Estacionamentos podem ser outras aplicações possíveis, pois neles há grande perigo de impacto de veículos com os pilares ou de explosão podendo afetar a estrutura", afirmou Peruzzi. Possuidora de módulos de elasticidade ainda menores que a fibra de aramida (entre 70 a 80 GPa, sem contar as fibras estruturais), a fibra de vidro recebeu atenção especial de Peruzzi em função das aplicações. Classificadas em fibras de tipo AR (para ambientes alcalinos, como argamassa e concreto com cimento Portland) e E (para outros ambientes, com uso em epóxi e poliéster), as fibras de vidro são usadas como telas ou picadas em microconcreto para painéis aparentes de fachadas, banheiros, obras públicas, etc., assim como para tratamento de interfaces estrutura-alvenaria, tais como vigas, lajes, pilares e sacadas, com aplicação extremamente simples (basta colocar as telas entre chapisco, reboco e acabamento). Com geometria diversa, as telas de fibra de vidro para geogrelhas beneficiam-se da capacidade de dispersão de Tensões em sentido perpendicular para uso em aterros sobre solos moles, muros, taludes e reforços de pavimentos (de forma a evitar afundamentos de trilhas e trincas por fadiga). Nesta aplicação, sujeita a diversas perguntas (em função inclusive da resistência a esforços circulares de máquinas), podem ser usadas telas de fibra de vidro E, fixadas com piche. Outros usos: reforço de fundações de tipo radier, pisos industriais, tratamento de juntas em sistemas drywall e gesso acartonado, com aplicação simples e de elevada eficácia. Concluindo, Peruzzi afirmou que telas de fibra de vidro, aramida ou carbono apresentam muitas qualidades como alta resistência à tração e módulo elevado, e principalmente o fato de não serem susceptíveis à corrosão como são as armaduras de aço. |
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